Crítica: [REC] 3 Gênesis e como jogar no lixo uma franquia promissora

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O texto abaixo contém spoilers sobre os dois primeiros filmes.


[REC] pode ser considerado um dos melhores filmes sobre zumbis dos últimos tempos, para ficarmos nesse termo sobre os “infectados”. O estilo “filmagem amadora”, o chamado mockumentary, foi utilizado de forma impecável pelos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza, que deram ao gênero um fôlego novo.

Na história do longa, temos a jornalista Ángela Vidal, interpretada pela competente Manuela Velasco, que acompanha, junto do com o cinegrafista Pablo, um dia de trabalho de um grupo de bombeiros na cidade de Barcelona, na Espanha. Até que há um chamado de um prédio e ela então acompanha dois dos profissionais até o local para averiguarem qual o problema. Chegando lá, já há dois policiais e os moradores em uma discussão, e não demora para que eles percebam que estão em um verdadeiro inferno quando as autoridades colocam o prédio em quarentena, impossibilitando-os de deixarem o recinto, e eles se vêem em meio à pessoas infectadas que querem devorá-los vivos.

Todo o clímax da trama está na impressão de que estamos vendo algo que realmente ocorreu. A filmagem é feita, praticamente, sem grandes cortes na edição, e a boa atuação do elenco transmite todo o desespero dos personagens, recorrente da falta de informação sobre os motivos de estarem em meio à um caos completo, além, é claro, de verem suas vidas sobre um grande risco, o que nos deixa realmente preocupados com o destino de cada um deles.

O filme é aterrador do início ao seu final, que é daqueles em que ninguém se dá bem e abre uma brecha para uma possível continuação. Que ocorre de uma forma, digamos, infeliz.

[REC] 2, uma continuação aquém do original

Se, como já disse, grande parte do sucesso na primeira produção se dá ao fato de estarmos vendo algo que parece crível, dentro das circunstâncias, em [REC] 2 a história tende para o lado fantasioso e então temos um decréscimo de qualidade em relação ao longa anterior.

O filme se passa poucos minutos do final do primeiro, onde temos um grupo de operações especiais da polícia local que entra no prédio junto com um suposto médico, vivido por Jonathan Mellor, para investigar os ocorridos. Após a vaca começar a ir pro brejo, este então revela para os policiais – que devem ser os mais mal treinados da história do cinema – que, na verdade, é um padre e que está ali para coletar o sangue de uma menina que seria a origem do vírus que se alastrou pelo local e que só poderá retornar para fora do prédio, após cumprir seu objetivo. Paralelamente, há a presença de um bombeiro, um pai e alguns adolescentes imbecis que conseguiram entrar no prédio às escondidas e acabam se juntando aos demais.

O restante da trama se dá na busca do padre e do grupo em conseguir o que ele quer para que possam sair do local, onde têm que lidar com todos os personagens do primeiro filme, que agora são infectados, mas que misteriosamente só dão as caras depois de um certo tempo. Em meio a isso, temos o maior defeito da sequência, que é dar ares sobrenaturais à história, onde sabemos que a causa daquilo tudo não se trata somente deuma doença, mas sim de possessões demoníacas que transformam as pessoas em seres ávidos por carne.

Não fosse pelo rumo dado aos fatos, que culmina em um final nada interessante e digno de irritação, [REC] 2 ainda assim seria um filme razoável, já que toda a atmosfera de terror presente no primeiro ainda continua ali e, bem ou mal, trata-se de uma sequência linear em relação ao que vimos na produção anterior.

Algum tempo depois do lançamento do segundo filme, foram anunciados mais duas continuações, Genesis e Apocalypse, que serviriam para contar a origem e os pós-ocorridos dos dois primeiros longas. Bom, e aí vimos que o que é ruim sempre pode piorar.

[REC] Genesis joga a franquia pelo ralo

O terceiro filme, [REC] Genesis, prometido como uma prequência de [REC], foi anunciado como a produção que explicaria os porquês dos acontecimentos no prédio onde a franquia havia se passado até então. E o pior é que nem isso ele conseguiu fazer.

A história se passa durante a festa de casamento de Clara – um dos poucos personagens que se salvam – e Koldo, vividos por Leticia Dolera e Diego Martín. O começo mostra tudo sendo filmado por um de seus primos, desde a igreja até o local da festa, em uma espécie de cerimonial de época. Apesar de ser mais extensa do que deveria, a parte inicial do longa é até interessante, quando há deixas e pequenos comentários reveladores que remetem a ocorridos do primeiro filme, fazendo você começar a entender certos detalhes não esclarecidos.

Só que tudo é muito raso e muito pouco conclusivo, até que as informações cessam quando temos o momento em que a coisa degringola para o terror, logo que um dos tios de Koldo, que já demonstrara sinais da infecção desde o início, cai de uma sacada e, ao morder uma senhora, alastra o vírus, ou o que quer que aquilo seja, e o horror por toda a festa.

Daí em diante, bom… Sabe aquelas continuações caça níqueis, feitas com direção, roteiro e elenco completamente diferente do filme original e que em nada o lembra? Então, essa é a impressão que temos ao assistir o restante de [REC] Genesis.

Rapidamente a câmera que filmava tudo é quebrada e, pela primeira vez na série, passamos a ver os acontecimentos pela ótica “normal”, o que já elimina toda a experiência tão interessante e que ditava o ritmo da franquia. As mortes passam então a se suceder, mas se nos filmes anteriores, nos preocupávamos com cada um dos personagens, dessa vez, o grande número deles, cuja quase totalidade tem o carisma de um tijolo, faz com que poucos nos importemos com o que lhes ocorre e as fracas atuações só acentuam isso.

A trama se desenrola na tentativa de Koldo em encontrar Clara, mas nada flui diante de atuações ruins e situações lamentáveis em uma história absolutamente terrível, onde parecemos estar diante de uma paródia da franquia original, que chega a nos mostrar um Bob Esponja pirata e a noiva bancando a Milla Jovovich em Resident Evil, com direito à motosserra e golpes de caratê.

O restante das explicações sobre as possessões, feitas pelo padre local, com direito à alusão ao juízo final, são fraquíssimas, deixando a trama ainda mais distante daquilo que imaginávamos quando assistimo [REC] lá em 2007. Talvez o final, por mais clichê que seja, seja a única parte realmente interessante do filme.

Enfim, se você pretendia assistir [REC] Genesis no cinema (o filme estreia dia 7 nos EUA e, por aqui, ainda não há previsão), achando que veria o início de um desfecho digno para essa série que se iniciou tão bem, recomendo demais que não faça isso e economize seu tempo e dinheiro. Espere sair nas locadoras ou utilize de algum link na internet e apenas baixe essa porcaria (como eu fiz), para assistir como mero desencargo de consciência. Você não se irá se arrepender se seguir meu conselho.

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